O prefeito de Paraíba do Sul, Júlio Canelinha (União Brasil), voltou a criticar duramente os “serviços” prestados pela concessionária Águas da Condessa, empresa controlada pelo Grupo Águas do Brasil, após sucessivas falhas no abastecimento de água, cobranças consideradas abusivas e obras mal executadas em diferentes pontos do município. Diante do cenário, o chefe do Executivo anunciou que a Prefeitura irá avançar com o processo de distrato do contrato de concessão.
A decisão foi reforçada após um desentendimento envolvendo uma obra realizada na Rua das Palhas, classificada pela administração municipal como de péssima qualidade. Segundo o prefeito, a situação evidenciou o acúmulo de problemas enfrentados diariamente pela população.
“Não se trata de um problema pontual, mas de uma sequência de falhas que se arrasta há muito tempo. Criamos uma Agência Reguladora Municipal, notificamos a empresa diversas vezes e buscamos o diálogo. Mesmo assim, os moradores continuam pagando caro por um serviço que não entrega o mínimo esperado. Falta água, as obras são mal feitas, as ruas ficam esburacadas e ninguém dá resposta. Como prefeito, eu não posso aceitar que a população de Paraíba do Sul continue sendo desrespeitada”, afirmou Júlio Canelinha.
A insatisfação também chegou à Câmara Municipal. O vereador Wallace Canelinha (União Brasil), irmão do prefeito, afirmou que o Legislativo tem atuado de forma firme na fiscalização e no acolhimento das reclamações da população, cobrando explicações e providências da concessionária.
“Como vereador, eu tenho andado pelos bairros, ouvido comerciantes, moradores das áreas mais altas e famílias que simplesmente não conseguem ter água com regularidade em casa. O que a gente escuta é sempre a mesma coisa: conta alta, serviço ruim e nenhuma solução concreta. A Câmara Municipal não pode se omitir diante disso. Nosso papel é fiscalizar, cobrar transparência e defender o interesse público. Estamos falando de água e saneamento, que são direitos básicos da população”, declarou Wallace Canelinha.
Para a população, a postura adotada pelo prefeito representa um posicionamento firme em defesa dos moradores. O comerciante Carlos Henrique da Silva, morador do bairro Centro, afirmou que a situação se tornou insustentável e elogiou a iniciativa da Prefeitura.
“Todo mês a conta chega certinha, mas a água não. A gente fica dias sem abastecimento e ninguém resolve. Eu apoio totalmente o prefeito nessa decisão. Alguém precisava bater de frente com a concessionária, porque quem sofre é o povo. Se não está funcionando, tem que mudar mesmo”, declarou o morador.
Segundo a Prefeitura, apesar da criação da Agência Reguladora Municipal, não houve avanço significativo na melhoria dos serviços. As principais reclamações envolvem tarifas elevadas, falhas constantes no abastecimento, ausência de rede de esgoto em áreas comerciais e obras mal executadas, que deixam buracos nas ruas e prejudicam o trânsito.
A concessionária Águas da Condessa iniciou suas atividades em dezembro de 2020, com um contrato de concessão de 35 anos. À época, foram anunciados investimentos de aproximadamente R$ 85 milhões, sendo R$ 24 milhões previstos para os primeiros cinco anos, com a promessa de universalização do abastecimento, melhoria da qualidade da água e ampliação do sistema de coleta e tratamento de esgoto.
Entre as metas divulgadas estavam a modernização da Estação de Tratamento de Água principal, a implantação de hidrômetros em 100% dos imóveis, a redução das perdas de água — que giravam em torno de 47% — para 25%, além da construção de Centros de Controle Operacional e ampliação do atendimento ao consumidor.
Segundo a administração municipal, as promessas não se converteram em melhorias efetivas, o que levou ao endurecimento da postura do Executivo e ao apoio do Legislativo. O processo de distrato agora será analisado pelo setor jurídico da Prefeitura.
A reportagem procurou a concessionária Águas da Condessa para comentar as críticas e o anúncio de distrato, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.




